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Estrada Real De Bicicleta


por: André Alécio C. Rodrigues

Viagem feita de 26 de dezembro de 2004 até 19 de janeiro de 2005 pela Estrada Real e Rodovia Rio – Santos.

Tudo começou quando li relatos de cicloturistas pela internet. Sempre gostei de andar de bike e faço ecoturismo desde os meus 16 anos, então fui planejando fazer uma grande viagem de bike e escolhi fazer a Estrada Real desde Diamantina – MG até Paraty – RJ. Durante um bom tempo estudei os roteiros e comprei os equipamentos necessários para a viagem, como os alforges, que são bolsas especiais que se prendem ao bagageiro da bicicleta.

Nem tudo na viagem saiu como o planejado. Acabei em alguns momentos pegando ônibus para evitar desgastes físicos e também adiantar a viagem, mas tudo foi ótimo e mesmo por ter optado em fazê-la sozinho, acabei encontrando outros cicloturistas pelo caminho, isso foi um grande incentivo para não desistir do sonho e também algo que animou e muito a viagem.

DIÁRIOS DE BICICLETA

DIA 26/12/2004
Escolhi um dia ruim para encarar o terminal rodoviário do Tiete em SP, pois é final do feriado de Natal e logo a maior rodoviária da América Latina está lotada de gente indo para todos os lados do Brasil. Eu e minha bike (na caixa, é claro) encaramos a multidão e embarcamos no ônibus da Gontijo rumo a Diamantina as 20:30, mas não antes dos responsáveis em colocar as bagagens no ônibus me sacarem mais 25 reais, dizendo que bicicleta tinha taxa extra de embarque. Após este abuso me desloquei para a poltrona 32 onde já estava sentado ao lado um simpático senhor, que também estava indo pra Diamantina para visitar seus parentes. Foi bom tê-lo como parceiro de viagem, pois tivemos bons papos. Depois de uma boa prosa, uma noite não dormida e 14 horas de viagem, enfim chego em Diamantina.

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DIA 27/12/2004 – DIAMANTINA

Chego em Diamantina e antes de tirar minha bike do ônibus vejo a Cristina montando sua bike. A Cristina também é mais uma aventureira que vai fazer a Estrada Real, assim como eu, e mais 14 pessoas de Curitiba. A diferença é que eles vão até Ouro Preto e eu pretendo chegar em Paraty. Depois de ficarmos quase uma hora montando as bikes na rodoviária fomos dar umas voltas pela cidade, que tem suas ruas de pedra, o que dificultou muito nossas pedaladas, pois além do peso das bikes, tivemos que encarar ruas irregulares e morros íngremes. Procuramos uma pousada e ficamos hospedados no Hotel Santiago, próximo a rodoviária. A tarde passeamos a pé pela cidade e comemos deliciosos pasteis. A cidade é muito bonita com seus casarios históricos, aconchegantes e belos, bastante gente nas ruas, muitos turistas e dezenas de igrejas do tempo colonial, enfim, um charme de lugar. Fomos descansar no hotel, que é muito bacana, com tv no quarto e tudo mais.

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Rua da Gloria (Diamantina)

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Cristina e eu em Diamantina

DIA 28/12/2004 – DIAMANTINA – SERRO – 28km pedal e 50km carona

Acordamos cedo e fomos falar com o pessoal de Curitiba, que por causa de um congestionamento atrasaram 20 horas. Conversamos com o pessoal que era muito gente fina e eles falaram que partiriam no dia seguinte. Eu e a Cristina decidimos partir hoje mesmo até Milho Verde, depois ela esperaria o grupo por lá.

Saímos em direção a Milho Verde por volta das 9:30 da manhã e logo no inicio pegamos uma grande descida, mas depois uma subida enorme apareceu, era longa e íngreme. Depois pedalamos pelo topo das montanhas, onde o visual era lindo, muitas pedras e montanhas pra todos os lados, passamos por uma cachoeira bem bonita.

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No Inicio da viagem fomos contemplados por esta bela cachoeira.

A Cristina se cansava muito, disse não estar preparada para tantos morros íngremes. Depois de um tempo nuvens negras e relâmpagos começaram a me preocupar, pegamos nossas capas de chuva, e para piorar a corrente da bike da Cristina caiu e enroscou, depois de meia hora conseguimos tirar a corrente. O céu estava ainda mais negro e logo chegamos ao vilarejo do Váu, onde ficamos alojados na varanda de um barzinho, esperando a chuva cair. Raios caíam próximos fazendo um poste de força soltar faíscas, chegou a dar medo, mas a chuva acabou não caindo e a gente voltou a estrada. Um quilometro a diante, a corrente da bike da Cristina voltou a cair e não teve mais jeito de desenroscar. Pegamos uma carona em um caminhão de bebidas, que por sorte passou. Batendo um papo com o Mauricio, o motorista, resolvemos ir com ele à cidade de Serro. De caminhão vimos visuais lindos da região, passamos por São Gonçalo do Rio Das Pedras, um vilarejo bem simpático e bonito, depois Milho Verde, onde paramos para descarregar umas caixas de cerveja. Eu aproveitei para bater um papo com 2 hippies, bem gente fina, que estavam por lá.

Chegamos em Serro às 19 horas e nos hospedamos na pousada Vila do Príncipe, uma casa colonial de 300 anos, a qual serviu de morada para um barão. A pousada tem móveis da época bem conservados, foi uma volta ao passado. A noite, eu e a Cristina fomos conhecer o centro histórico e aproveitamos para jantar e beber uma cerveja.

DIA 29/12/2004 – SERRO – CONCEIÇÃO DO MATO DENTRO – 66 km pedalados

A Cristina resolveu voltar pra Goiânia. Fiquei chateado por ela, mas disse que estava tranqüila, pois não daria pra continuar, não agüentaria tantos morros. Ela me ajudou a montar os alforges na bike e eu parti por volta das 8:30. O tempo estava nublado e antes já havia caído uma boa chuva, mas esta resolveu não me acompanhar. Hoje foi um dia mais tranqüilo apesar da distancia, não tem tantos morros íngremes quanto no trecho de ontem, a estrada é de terra, mas em boas condições. Logo cedo passou por mim, um grupo de motocross em alta velocidade. Pedalei bastante até chegar no distrito de São Sebastião do Bom Sucesso, onde tomei um guaraná e conversei com uns garotos da cidade. Depois foram mais 14 km até Conceição, onde cheguei as 4:30 da tarde e me hospedei no hotel Bom Jesus, onde conheci uma família bem legal de BH. Falamos sobre a Estrada Real, peguei algumas dicas sobre o caminho e me convidaram para comer pastel de angu, uma comida típica aqui da região. A noite jantei no hotel uma comida feita no fogão a lenha, uma delícia. Fui dormir cedo, pois amanhã vou pra Morro do Pilar. Decidi não ir para a Cachoeira do Tabuleiro, pois já a conheço, assim ganho uns dias de viagem.

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Vista do distrito de São Sebastião do Bom Sucesso

DIA 30/12/2004 – CONCEIÇÃO DO MATO DENTRO – MORRO DO PILAR – 30 km

Acordei cedo, tomei café, despedi-me do pessoal do hotel e sai as 8:30 horas, rumo a Morro do Pilar. Logo no inicio 3 km de subida asfaltada pra animar, depois só estradinha de terra, cheia de morros grandes e íngremes e em estado bem precário. Esta estrada é secundaria, se eu fosse pegar a estrada normal, onde os carros utilizam, pegaria 70 km, então o atalho aqui foi grande, mesmo assim tive que empurrar a bike nos morros íngremes. Além disso os alforges estão muito pesados, dificultando muito as minhas pedaladas. Na estrada não encontrei ninguém, foram poucos carros que passaram por mim. Não vi casas, nem nada, encontrei apenas cavalos, bois e vacas. Não sei porque sempre acho que eles vão vir pra cima de mim, então pego um pedaço de pau e vou batendo no guidão da bike pra fazer barulho, daí eles saem da frente.

Cheguei em Morro do Pilar às 13:30 horas. Almocei um pf em um restaurante da cidade por 5 reais, em quase todos os lugares que comi até agora, o preço foi este e todos bem caprichados. Depois de bater um papo com os turistas e com o dono do restaurante fui conhecer a Cachoeira do Lageado, bem bonita e com muita gente. Pensei em acampar por lá, mas como estava sozinho não achei muito seguro. Voltei a cidade e me hospedei em uma pousada por 15 reais (em todos os lugares em que me hospedei até agora, o preço foi este com café da manhã, apenas em Conceição que o preço foi 10 reais).

Na praça da cidade encontrei um senhor muito simpático, seu Miguel, batemos um bom papo sobre a Estrada Real e ele me convidou para tomar café em sua casa. Achei bem legal a hospitalidade deste senhor e de todos que estou conhecendo na viagem, sempre alguém está disposto a me ajudar. A noite conheci um pessoal que trabalha com caminhão e eles me ofereceram uma carona para Serra do Cipó, estudei os mapas e acabei achando melhor não ir, pois teria que desviar muito o caminho para Ouro Preto.

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31/12/2004 – MORRO DO PILAR – ITAMBÉ DO MATO DENTRO 38km pedalados

Acordei com a algazarra das maritacas e 8:30 já estava na estrada tendo como companhia um sol bem forte desde cedo. A estrada começou plana, até demais pro meu gosto, foram uns 10 km num terreno praticamente plano, com um rio acompanhando -me durante todo o tempo. Mas depois as subidas começaram, o pessoal aqui de minas, num tem muita noção do que é morro e do que é plano, me falaram que não teria muitos morros neste trecho, mas vi que eles estavam enganados, pois foi um trecho bem íngreme da viagem. Algumas subidas tinham 3km. Dai não teve jeito, o negócio era descer e empurrar a bike. Peguei um altiplano e encontrei um senhor andando com seu burrico, fomos batendo um papo até ele descer para sua fazenda. Hoje também levei o meu primeiro capote na Estrada Real, foi depois de um grupo de motocross passar por mim , me distrai e a roda da frente escorregou nas pedras, cai. Ainda bem que não me machuquei, fiquei apenas preocupado com o meu joelho, pois na queda ele sofreu um impacto e como ontem fez 6 meses da minha operação no ligamento, acabou doendo um pouco. Passei pelas pedras onde mora Seu Domingos, um eremita aqui da região, mas eu não o vi. As paisagens de hoje foram bem bonitas, era morro a se perder de vista. Minha água acabou e depois de um tempo achei um fio de água, abasteci as garrafinhas em uma pocinha que havia até girino nadando, além disso a água estava quente, por sorte não demorou muito para eu encontrar água boa, mesmo assim coloquei Hidrosteril para purificar a água. Cheguei em Itambé ás 2 horas da tarde e fiquei em um camping bem bonito. Acho que é o camping mais chique que eu já me hospedei em toda vida. Custa 10 reais por dia e como vou ficar 2 dias por aqui. Acabei pagando 15 reais, pois disse que estava viajando pela Estrada Real de bike. Sempre faço isto e o pessoal me dá desconto. Tem uma galerinha aqui no camping, mas até agora não fiz nenhuma amizade, amanhã vou dar uns roles de bike pelas cachoeiras da cidade, que tem várias e algumas são perto. A bike sem alforges está parecendo um foguete.

NOITE DE ANO NOVO

Não tive muito o que fazer por aqui, fui ao barzinho do camping onde tinha um cara tocando violão e cantando. Até que estava legal, tomei uma cerveja e uma caipirinha pra comemorar o ano novo. Deu meia noite, vi uns fogos e fiquei do lado de fora da barraca, olhando as estrelas e ouvindo musica no meu radinho – a trilha sonora era um bom e velho rock progressivo. No céu tinha uma lua grande, fiquei olhando pra ela e pensando em tudo e em todos os amigos e parentes que deveriam estar também acordados, comemorando o começo de um novo ano, então, um feliz 2005 para todos.

DIA 1/1/2005 – ITAMBÉ DO MATO DENTRO

Hoje logo cedo já fui pra Cachoeira do Lucio, a mais próxima da cidade. Ela tem uns 8 metros e é bem bonita, com um poço para nadar e uma prainha. Cheguei lá e estava sozinho, quando apareceu o pessoal do camping, uma galera bem gente fina da cidade de Santa Luzia, perto de BH. Ganhei deles uma latinha de cerveja e ficamos batendo um papo . Voltei pra cidade e avistei as montanhas aqui da região, que são muito bonitas. Chegando no camping fui convidado para almoçar junto com o pessoal de Santa Luzia, depois jogamos um jogo de caça palavras. Fui para o centrinho da cidade ver a posse do prefeito, que se elegeu com 800 votos e que era chapa única, ouvi dizer também que iria rolar uma grande cervejada com show ao vivo e tudo mais, realmente a cidade toda estava por lá, mas cerveja de graça eu num vi, acho que cheguei cedo demais. Voltei para o camping e começou uma bela chuva. A noite joguei truco com os amigos de Santa Luzia, eles jogam truco diferente do que é jogado no interior paulista. Achei engraçado e todos me pediram para mostrar o jeito que se joga em SP. Jogamos um pouco e fomos dormir. Eu decidi ir de ônibus até Barão de Cocais e o ônibus sai as 6:30 da manhã, então vou ter que acordar bem cedinho para arrumar as coisas.

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Cachoeira do Lúcio

DIA 2/1/2005 ITAMBÉ – BARÃO DE COCAIS ( ônibus) BARÃO – CATAS ALTAS 30km pedal

Quase não dormi e sai correndo para não perder o ônibus, cheguei lá e coloquei a bike no bagageiro com alforge e tudo, ninguém falou nada, nem cobraram nada a mais, paguei 8 reais e fui embora. Para minha surpresa, quando o ônibus passou pela cidade de Ipoema subiu nele o casal Alexandre e Rita, que fizeram todo este trecho da Estrada Real desde Diamantina a pé. Conversamos sobre nossas viagens e nos despedimos, eles falaram que encontraram com mais 2 cicloturistas, que também estão fazendo a Estrada Real até Paraty, o Zé Renato e o Adriano, que são de Goiânia.

Cheguei em Barão dos Cocais, enchi os pneus da bike e sai pedalando até Catas Altas. Estava pedalando, quando encontrei Seu Jorge com sua bike, com retrovisor e farol dínamo. Descobri que ele estava indo para Santa Bárbara, uma cidade próxima a Catas Altas. Fomos pedalando juntos e batendo um papo pela estrada, subimos um belo morro de uns 2 km, mas como agora é tudo asfalto, nem precisei colocar a corrente na coroa menor e Seu Jorge seguia firme e forte com sua Barra Forte sem marchas. Certa hora bebi um gole de água da minha garrafinha e ofereci a Seu Jorge, este me respondeu: – Obrigado garoto, mas acabei de tomar uma cachacinha. Achei engraçado, dei risada e falei: – É, de vez em quando faz bem. E ele também riu.

Cheguei em Catas Altas acompanhado de uma serra muito alta, que faz parte do Parque do Caraça. Andei pelo centro e depois de muito perguntar descobri que há um camping a 3 km da cidade. Cheguei no camping, muito belo por sinal, com uma lagoa enorme e do outro lado se avista a Serra do Caraça, um morro enorme com muitas pedras, há nuvens em seu pico tornando – o ainda mais belo. Hoje, ainda não vi o sol, isso me ajudou muito com as pedaladas, só espero que não chova. Vai rolar um show de forró, aqui no barzinho do camping. Tem muita gente por aqui, porém acampando, só eu. Aproveitei pra nadar na lagoa e bater um papo com uns garotos aqui da cidade mesmo. O forró acabou ás 9 horas da noite, depois fui conversar com o dono do barzinho, que não me cobrou nada pelo camping.

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Igreja Catas Altas

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DIA 3/1/2005 – CATAS ALTAS – OURO PRETO 30 km pedal o resto ônibus

Saí de Catas Altas ás 8:30 horas, pedalei sempre acompanhado da Serra do Caraça, que continuou com nuvens em seu pico. Passei por muitas subidas e depois de estar cansado e tomar muito sol na cabeça, cheguei a uma empresa e encontrei alguns rapazes na estrada, perguntei se eles estavam esperando o ônibus e eles disseram que iam pra Mariana. Sentei e esperei o ônibus com eles, quando chegou descobri que o “busão” ia passar em Ouro Preto. Não tive duvidas e entrei no ônibus lotado e fui sentado na escada, ao lado do motorista, paguei 7 reais pelo ônibus (com a bike no bagageiro).

Cheguei em Ouro Preto e fui direto retirar grana no banco Real. Desde Diamantina é o primeiro lugar que eu encontro o banco. hospedei-me no albergue da juventude e conheci Maximiliano, um rapaz alemão de 20 anos, que esta viajando pela América Latina, veio do Rio de Janeiro e falou que esta indo pra Manaus. Saímos juntos para conhecer a cidade de Ouro Preto, que é bonita, com muitas igrejas e calçamento de pedras, reparei nos muitos turistas estrangeiros que vem visitar a cidade. Bebemos uma cerveja e conversamos bastante, ainda bem que Maximiliano fala espanhol, assim deu para nós conversarmos bem. Chegando no albergue conheci mais outro viajante estrangeiro o Jord, que é espanhol. Estávamos batendo um papo, quando chegou Marcelo, um paulista que esta indo para Diamantina, aproveitei e dei umas dicas de pousadas da região. Conheci também um casal de SP, que esta viajando de jipe por MG, dei algumas dicas sobre a Serra do Cipó para eles também.

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Saindo de Catas Altas

DIA 4/1/2005 – OURO PRETO

Acordei cedo e logo no café fui convidado pelo casal Carlos e Silvia para ir a Lavras Novas no seu jipe Land Rover com GPS e tudo mais. Foi conosco também o Jord, que é um espanhol gente fina. Fomos para Lavras Novas por uma trilha de jipeiros, assim deu pra sentir o gostinho de como é fazer uma trilha de jipe. Chegamos na cidade, que fica em cima das montanhas com casas muito simpáticas e bem tranqüila, ficamos lá por umas 2 horas, acabamos não indo as dezenas de cachoeiras da região, mas valeu a pena conhecer a cidade.

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Jord, eu, Carlos e Silvia em Lavras Novas

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Vista da cidade de Lavras Novas

Retornando pra Ouro Preto, fui até a rodoviária comprar passagem pra Itutinga. Resolvi fazer este trecho de ônibus, assim adianto a viagem e fujo dos morros até Ouro Branco e do trânsito nas estradas aqui da região. Descobri que teria que colocar a bike novamente em uma caixa, fui até uma bicicletaria e arrumei a caixa por 3 reais. Decidi pegar o ônibus amanhã às 19 horas para Itutinga, assim dá pra descansar e conhecer mais um pouco de Ouro Preto.

Hoje chegou aqui no albergue algumas garotas que estão prestando vestibular para a faculdade de Ouro Preto, batemos um papo e fizemos uma macarronada comunitária, participaram do jantar também 2 suíças, uma delas tem os olhos mais lindos que eu já vi. As meninas Lis, Patrícia, Mariana e Bia estão prestando vestibular para artes cênicas e estão muito apreensivas com os testes, quase não conseguem falar em outra coisa. De noite o Albergue ficou animado todos batendo papo e ouvindo um som. Bebi uma cachaça mineira com o pessoal, na noite passada experimentei a famosa cachaça Salinas, até hoje foi a melhor que eu bebi. Chegou aqui no albergue mais um alemão, o Jorge, bom pelo menos este foi o nome que ele disse pra gente pronunciar, ele é mais um viajante solitário e bem gente fina, como todos por aqui. Fui convidado por mais um garoto, que esta prestando vestibular, para conhecer a vida noturna de Ouro Preto, saímos e conhecemos mais uns jovens, que estão prestando vestibular.

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Vista do Albergue da Juventude

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Jantar comunitário com as meninas no albergue

DIA 5/1/2005 OURO PRETO – ITUTINGA – ônibus

O dia amanheceu chuvoso e no café me despedi do casal Carlos e Silvia, que estão indo rumo a Serra do Cipó, sem antes de dar mais algumas dicas das estradas da região. Conheci também aqui no albergue o Cláudio, que esta vindo de Paraty e passou por São Tomé, dai foi a minha vez de pedir algumas dicas. Desmontei a bike e coloquei na caixa, aproveitei para encaixotar o resto das minhas coisas. O Jorge me convidou para uma cerveja aqui mesmo no albergue e ficamos ouvindo seus cds de blues. A Bia chegou da prova e fez companhia para eu, Jorge e Claudio, Aproveitei e almocei frangos com batatas feitos pelo Jorge, muito bom por sinal. No resto da tarde fiquei conversando e assistindo tv, na tela Trapalhões com Mussum, Zaca, Dominó, Gugu e companhia.

Fui pra rodoviária e o Cláudio me ajudou a levar as minhas coisas, ainda bem que é perto, mas o morro é que deu canseira. Peguei o ônibus e cheguei em Itutinga mais de meia noite de baixo de chuva, montei a bike com a ajuda do Tiago, dono do único barzinho aberto aquela hora na cidade. A minha idéia era seguir para Carrancas de madrugada mesmo, mas com aquela chuva não teria como, então fiquei no barzinho e quando o Tiago ia fechando o bar me convidou para dormir por lá mesmo. É claro que eu aceitei joguei meu saco de dormir e mais um que o Tiago me emprestou, no chão mesmo e dormi por ali ao som da chuva.

DIA 6/1/2005 – ITUTINGA – CARRANCAS 27 km pedalados

Acordei cedo e a chuva acabou, agradeci o Tiago por ter me deixado dormir em seu barzinho, tomei café em uma padaria da cidade e sai pedalando até Carrancas. Foi um pedal tranqüilo, com poucos morros fortes, apenas a subida da serra de Carrancas, que trás um pouco de canseira, mas de resto é bem agradável pedalar nesta estradinha. O dia estava nublado e a estrada com bastante lama, o pior trecho é onde estão preparando a estrada para asfaltá-la, os tratores mechem na terra e ela fica fofa com a chuva transforma-se em um atoleiro, tive que pedalar um trecho de uns 500 metros assim, era lama pra todo lado, fui bem devagar para não cair na lama.

Na subida da serra de Carrancas fui parado por 2 jovens que estão fotografando a Estrada Real para o site estradareal.org , eles tiraram algumas fotos minhas pedalando na serra ( agora vou ficar famoso). Depois da subida, que tem um dos visuais mais incríveis de toda a viagem, uma garoa me pegou, obrigando-me a colocar a capa de chuva, pela primeira vez usada na viagem. Desci a serra e chego no Camping da Toca e converso com o proprietário, o Seu Marcelo, que fez a primeira expedição pela Estrada Real a cavalo. Aqui em Carrancas me sinto em casa, pois é a quinta vez que estou aqui. A tarde fui na casa do Aroldo e da Bruna, um casal muito bacana que conheci aqui uma outra vez que vim acampar. Eles também estavam acampando e gostaram tanto da cidade que resolveram morar aqui já faz 4 anos. Fiquei lá na casa deles a tarde toda conversando e eles me convidaram pra almoçar por lá amanhã.

Hoje é niver da minha vó tentei falar com ela, mas não consegui, então parabéns pra vovó Roza.

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Foto na serra chegando em Carrancas

DIA 7/1/2005 – CARRANCAS

Acordei e fui na cachoeira do moinho com 2 amigos que conheci aqui no camping. Fiquei lá umas 2 horas e depois fui na casa do Aroldo almoçar. Estavam por lá também os pais da Bruna, um casal muito simpático. Comemos uma comida deliciosa e conversamos muito, no fim da tarde fui dar um mergulho no poço do coração e voltei para o camping, que esta mais vazio do que antes. A chuva começou e eu fiquei trancado na barraca até o dia seguinte.

DIA 8/1/2005 – CARRANCAS

Mandei algumas roupas minhas pra lavar, pois estavam muito sujas, eu sempre lavo, mas acabaram ficando encardidas. Sai com a bike para fazer algumas trilhas pela região e ver as cachoeiras, na volta encontrei a Patrícia, uma jovem de SP, que esta viajando sozinha, ficamos conversando nas pedras ao lado de um pocinho, depois fomos almoçar juntos, vimos até um tucano voando, uma cena muito bonita. Almoçamos no Restaurante da Toca e fomos ao centrinho para comer pão de queijo, mas já havia acabado, então tomamos um sorvete para compensar e ficamos andando pela cidade a tarde toda. Foi legal, eu já estava me sentindo sozinho, foi bom ter a Patrícia como companhia neste dia. Fui dormir cedo, pois amanhã são mais 70 km de pedal até São Tomé.

DIA 9/1/2005 CARRANCAS – SÃO TOMÉ DAS LETRAS 73 km de pedal

Acordei arrumei as coisas e sai desta vez mais tarde que de costume eram 9:40 quando deixei o Camping da Toca. Passei pelo centrinho e peguei uma estrada de terra até a estação de Carrancas. O visual da estrada é bem bonito, cheio de montanhas e de longe deu pra ver a Cachoeira Véu de Noiva em Carrancas. Depois de passar pela estação de Carrancas peguei uma estrada alternativa até São Tomé, onde cheguei pelo vilarejo do Sobradinho, me falaram que a estrada tinha 50 km, mas no final deu 73 km. Em muitos lugares foi assim, as pessoas sem maldade acabam falando que é perto, ou que é tudo plano, e quando você vai ver é super longe ou tem muitos morros, por isso temos que confiar nas pessoas que já passaram de bicicleta pela estrada, pois quem passa de carro não nota muito se tem subidas, ou as distâncias. Peguei os 73 km com sol forte e também com algumas garoas de verão, mas que nem me obrigaram a colocar a capa de chuva.

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Vista de São Tomé das Letras

Na estrada, certa hora bati palma em uma das poucas casas que encontrei no caminho, para ver se estava realmente indo pro caminho certo, foi quando apareceu Dona Lurdes, uma senhora muito simpática, que na hora já foi me convidando para entrar, também conheci seu esposo, o Seu Cleber, os dois muitos simpáticos e prestativos. Comi batatas fritas e refrigerante e de sobremesa um delicioso doce de leite feito por Dona Lurdes, uma delicia. Despedi-me e sai pedalando, pois ainda estava muito longe do meu destino. A estrada vai passando por inúmeras fazendas e plantações de milho. Hoje tive meu primeiro encontro selvagem de toda a viagem, estava pedalando e olhando as montanhas ao meu redor, quando olhei pra frente vi uma cobra a não mais que 1 metro de distância, atravessando a estrada, deveria ter uns 2 metros. Eu levei um susto, desviei para não atropelá-la e pedalei forte. Ela ergueu a cabeça e saiu em disparada para o meio do mato. Foi um grande susto que levei, mas quem não estava no seu habitat natural naquele momento, era eu e não ela.

Já era quase 6 horas da tarde, quando cheguei no vilarejo do sobradinho à 16 km de São Tomé. No vilarejo do Sobradinho tem diversas cachoeiras e grutas, é um local bastante visitado, mas eu nem vi nada, pensei em ficar por lá esta noite, mas desisti. Passei também pelo Poço da Lua, à 8 km da cidade e parei no barzinho para tomar um suco e comer um doce, pois já estava bem cansado com a pedalada de hoje e ainda encarei os últimos 3 km de subida até chegar em São Tomé, que está a 1440 metros de altura. Chegando em São Tomé me hospedei na pousada Filhos da Terra, por 10 reais a diária, com tv e banheiro no quarto. Valeu a pena, por aqui as coisas são bem baratas, isso é bom, pois assim fico vários dias aqui e não gasto muito.

DIA 10/1/2005 – SÃO TOMÉ DAS LETRAS

Acordei e fui tomar café em uma padaria da cidade, logo após subi pelo centro e cheguei na Pirâmide, uma casa de pedra, no ponto mais alto da cidade. É um ponto turístico bem visitado, o visual é lindo, já que se tem a vista de toda a região. Lá conheci o Junior, mais um que também esta viajando sozinho e fomos para a cachoeira da Eubiosia, uma das mais conhecidas da cidade. Ficamos lá praticamente o dia todo e para voltar tivemos a sorte de pegar carona em um caminhão, nós e mais uns 20. Foi engraçado, o caminhão parava toda hora para mais gente subir. Já no centro fomos outra vez na Pirâmide, tocar violão e ver o pôr-do-sol. Cheguei na pousada e descobri que poderia cozinhar por aqui, então fui no mercadinho e comprei algumas coisas. A noite fiquei curtindo um som e nem sai mais.

DIA 11/1/2005 – SÃO TOMÉ DAS LETRAS

Hoje foi mais um dia tranqüilo fiquei descansando, pois choveu muito. Subi mais uma vez na Pirâmide e vi um nevoeiro intenso. Fiz um espaguete alho e óleo, com o nózinho de queijo que comprei, uma delícia. Conheci três jovens de Americana, que chegaram aqui na pousada e fui dormir cedo, pois amanhã tem pedal.

DIA 12/1/2005 – SÃO TOMÉ DAS LETRAS – BAEPENDI 47 km de pedal

Sai 10:30 de São Tomé debaixo de um céu cinza. Desci 4 km de montanha, a estrada estava ruim com muitos atoleiros, devido as chuvas de ontem. Isso dificultou bastante, a bike ficou marrom de tanta lama, a corrente parecia que iria partir ao meio. Vi muitos caminhões sambando na lama. Cheguei em Baependi por volta das 4:30 da tarde e me hospedei no hotel Inha Chica, por 12 reais, com banheiro no quarto e café da manhã. Sai para conhecer a cidade e comer alguma coisa. Na volta me sentei na varanda do hotel e vi 3 ciclistas com bagagem bem menor que a minha passando pela rua. Sai gritando e para minha surpresa fui saber que eles também estavam fazendo o caminho da Estrada Real, mas desde Ouro Preto e estavam indo para Paraty. Conversamos muito e vimos os mapas. Amanhã vamos sair as 7 horas. Vou ver se eu consigo acompanhá-los, pois eles estão com bem menos bagagem e dois deles fazem triathlon, então além de mais leves, eles tem muito mais pernas que eu.

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Los quatro amigos: da esquerda pra direita, eu, Valentim, Rogério e Fabiano

DIA 13/1/2005 – BAEPENDI – GUARATINGUETA – 130 km de pedal

Saímos cedo. Pegamos a estrada por volta das 7 horas rumo a Caxambu, eu e meus novos amigos, Fabiano, Valentim e Rogério. Eles realmente pedalam bem mais forte do que eu, mas mesmo assim resolvi acompanhá-los. Pedalamos por estrada de asfalto o tempo todo e desenvolvemos um bom ritmo. A estrada não tinha acostamento e passavam poucos carros, mas mesmo assim dávamos sinal com as mãos para eles se afastarem. Subimos e descemos várias serras até chegarmos a cidade de Pouso Alto.

Lá despachei 4,2 kg de minha bagagem pelo correio. Resolvi fazer isso pois não estava usando muitas coisas e o pessoal me incentivou, assim ficaria mais fácil acompanhá-los, já que estava ficando para trás. Chegamos em Passa Quatro onde almoçamos. Eu não costumo almoçar mas, como desta vez eu não estava sozinho, resolvi acompanhar o grupo. Após o almoço descansamos um pouco na praça e partimos para mais uma etapa. Fomos avisados de uma grande subida. Eu sempre ficava para trás, mas os colegas me incentivavam para continuar. Paramos em um posto e eu decidi ir na frente, pois eles logo me alcançariam.

Teria um atalho no fim da descida, no qual eu teria que entrar. A grande subida não veio, não era tão íngreme quanto nós pensávamos e quando achei que o “bicho iria pegar” me deparei com a placa de divisa de estado, entre MG e SP, e do outro lado uma vista maravilhosa de todo o Vale do Paraíba. Aí desci a serra que tinha uns 10 km. Foi a descida mais alucinante da minha vida. Fui a 50 km/h e passei do atalho. Cheguei na entrada de Cruzeiro e segui para Cachoeira Paulista e depois Canas. Foi ai que soube, por um senhor, que três caras de bike haviam acabado de passar por lá e um deles tinha até uma bandeirinha do Brasil na bicicleta ( o Rogério carregava uma bandeirinha em sua bike). Dai a minha ficha caiu, eu tinha passado do atalho. Acelerei mas não consegui mais alcançá-los. Segui até a cidade de Lorena, que é bem plana e uma coisa me chamou a atenção, a quantidade enorme de bikes que tinham pelas ruas. Decidi pegar um ônibus e economizar mais 12 km de pedal até Guaratinguetá.

Um garoto de bike me guiou até a rodoviária. Cheguei e enfiei a bike de alforge e tudo no ônibus, paguei 2 reais pela passagem. Eu estava além de cansado, muito chateado pois havia me perdido do pessoal e na certa não os encontraria mais, pois a cidade de Guaratinguetá é bem grande. Quando cheguei na cidade fui atrás de um hotel. Fui no centro, afinal pelo que notei em toda a viagem é no centro que ficam os hotéis mais baratos. Encontrei um de nome Central e para minha surpresa, lá estavam os meus amigos novamente. A festa foi geral, pois também eles achavam que não me encontrariam, apenas o Valentin dizia: – Falei que ele ia aparecer, num falei. A noite fomos comer pizza. Todos estávamos cansados e com dores nas pernas de tanto pedalar.

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Próximo a cidade de Passa Quatro

DIA 14/1/2005 GUARATINGUETÁ – PARATY – 97 km de pedal

Acordamos bem cedo e as 6:30 já estávamos na estrada. Fizemos o dia render bem. Tivemos que encarar 8 km de subida antes de chegar em Cunha. O Rogério até pedalou a minha bike e eu a dele, que estava bem mais leve. Chegamos em Cunha por volta das 11 horas da manhã e almoçamos, o que foi para mim o almoço mais chique de toda a viagem, trutas com shitak, uma delícia. Saímos logo para a que seria a etapa mais difícil de toda a viagem, cheias de subidas íngremes. Ao todo foram 25 km de subidas bem fortes. Em alguns momentos cheguei até a empurrar a bike, mesmo no asfalto.

O sol se fez presente e paramos em uma bela cachoeira, ao lado da estrada, para um descanso. Foi a primeira cachoeira que os três amigos pararam por toda a viagem. Eles até entraram de baixo da queda, eu apenas fiquei sentado e molhei o cabelo, afinal aproveitei varias cachoeiras durante toda a viagem. Eu brincava com eles dizendo que não estavam fazendo cicloturismo e sim corrida contra o relógio, afinal pedalaram em 6 dias de Ouro Preto a Paraty, quase não conheceram as cidades por onde passaram. Chegavam tarde e iam embora bem cedo. Então resolvi encher o saco deles dizendo que eles faziam corrida contra o relógio, mas neste momento onde eles estavam de baixo da cachoeira eu falei : “- Estão vendo como é legal. Isso sim que é cicloturismo, parar a bike e desfrutar da natureza. Olha só como é bom, agora a gente vai ter forças para subir o resto da montanha, sem se desgastar”. Todos riam.

A gente tirou algumas fotos e fomos embora. Depois de uma meia hora, chegamos enfim ao início da descida para Paraty. A tão sonhada descida. A placa “desça engrenado” era uma alegria. Já tínhamos visto algumas pela estrada, durante a viagem, mas não sei porque esta teve um gostinho especial, acho que deve ter sido porque sabiamos que depois daquela descida não viria mais subidas e sim um plano até chegar em Paraty. Tiramos mais uma foto da placa de divisa de estado entre SP e RJ e descemos para o ” além”. O nevoeiro era tão forte que não se enxergava mais do que 10 metros a nossa frente. A estrada neste trecho é de terra e em condições bem ruins. Vimos poucos carros, alguma caminhonetes de luxo que encaravam com certa facilidade os buracos. Carros de passeio vimos apenas alguns, estes iam bem devagar, nossas bikes fizeram eles comerem poeira. Mesmo assim, descemos bem devagar, tínhamos que parar pois os braços não agüentavam de tanto tremer, ainda mais os meus braços, pois minha bike nem amortecedor tinha. Nos 6 kms finais o asfalto volta.

Tiramos fotos da vista, pois por ali o nevoeiro não era tão forte. O céu nublado não deixou que nós víssemos muito bem a paisagem, mas valeu a pena. Terminamos de descer a serra em alta velocidade, já que o asfalto neste trecho era bom. A adrenalina foi a mil, pois além de bem íngreme as curvas eram bem fechadas.

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Placa da divisa de estado SP e RJ

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Cachoeira entre Cunha e Parati

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descida para o “além”

Chegamos em Paraty. Tiramos umas fotos numa placa que mostra o início da Estrada Real, mas para nós ali foi o fim. Pegamos uma ciclovia e chegamos ao início do centro histórico, onde paramos para pedir informações sobre pousadas na cidade. Muitas pessoas vieram perguntar de onde estávamos vindo, com as bikes cheias de bagagem e quando falávamos todos se admiravam. Foi aí que apareceu do nada, mais um cicloturista com uma bike toda carregada.

Era um jovem com fisionomia asiática e quando fomos conversar, tivemos uma surpresa: era Shin- ichi, um japonês de 26 anos, que estava vindo de Angra dos Reis, mas que na verdade estava viajando pelo mundo. Já passou por 21 paises e entrou pelo Brasil em Roraima, vindo da Venezuela e estava fazendo toda a costa brasileira. Deu-se aí o início de mais uma grande amizade. Agora éramos em 5 cicloturistas passeando por Paraty. Fomos nos hospedar no albergue da juventude.

A noite conhecemos o centro histórico e Valentin convidou eu e Shin para ir com ele e Fabiano para sua casa em Caraguatatuba, no dia seguinte e nós aceitamos. Decidi ir com o Shin até Santos, assim faríamos toda a Rio – Santos, que era uma vontade que eu tinha. Fomos dormir pois no dia seguinte mais 100 km de pedal.

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Marco zero da estrada real

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Placa de Boas Vindas

DIA 15/1/2005 – PARATY – PRAIA DA LAGOINHA ( UBATUBA) 100 km de pedal

Acordamos bem cedo, eu, Valentin, Fabiano e o Shin. O Rogério não foi com a gente ficou em Paraty esperando sua família, que viria de SP.

Fizemos um pedal forte, paramos em uma cachoeira na estrada e com 3:30 já havíamos pedalado 70 km. Encontramos na estrada vários ciclistas com bike speed. Paramos em um posto para almoçar e seguimos para a Praia da Lagoinha, onde a família do Valentin estava nos esperando. Chegamos à praia depois de passarmos por varias outras. O visual da estrada é muito bonito e estava bem movimentada, com muitos carros, já que além de ser sábado fez sol o dia todo. Então, sol, mais verão, mais sábado é igual a estrada cheia de carro. Ainda bem que tem um bom acostamento, assim corremos poucos riscos.

Chegamos na praia e fomos pedalando pela areia até encontrarmos a família de Valentin. Por um momento fomos o centro das atenções da praia da Lagoinha, todos nos olhavam com as bikes cheia de bagagem. Alguns não se contiveram e vieram perguntar de onde estávamos vindo. Enfim, encontramos a família de Valentin e fizemos uma grande festa com direito a cerveja e banho de mar. Desmontamos as bikes e colocamos no carro, assim economizamos 35 km de pedal até a praia Martin de Sá em Caraguatatuba. Quando chegamos na casa, fizemos um churrasco pra comemorar a nossa aventura, depois fomos dormir. Mas antes, é claro vimos muitas fotos do Shin. Ele trás em seu alforge um note book e tem uma maquina fotográfica digital, assim descarrega as fotos no computador. Vimos fotos de vários lugares do mundo, por onde Shin passou, bem legal.

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Eu na Rio-Santos região de Ubatuba

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Shin e eu na divisa de estado (Rio-Santos)

DIA 16/1/2005 – CARAGUATATUBA

Pela primeira vez acordei tarde em toda a viagem. Hoje é o meu vigésimo dia. Está sendo muito bom viajar de bike. Conheci muita gente legal, muitos lugares bonitos, cidades pacatas, outras nem tanto. Em MG encontrei um povo muito hospitaleiro e simpático. Hoje foi um dia de descanso. Fomos à praia da Caçandoca, uma praia diferente, sem casas e tinha até vaca próximo. Por um momento achei que ainda estava nas Gerais.

Ficamos por lá o dia todo, foi um dia bem agradável e a noite fizemos um novo churrasco. Despedi-me de Valentim e Fabiano, que voltaram pra SP. Eu e Shin ficamos mais uma noite na casa do Valentin e amanhã vamos pedalar até a Ilha Bela. Quero ver como vai ser viajar sozinho com o Shin, pois até agora o Valentin foi o interprete, eu não sei falar inglês e o Shin não fala português, mas com certeza vai ser mais uma grande experiência, que eu vou levar para toda a vida.

DIA 17/1/2005 – CARAGUATATUBA – ILHA BELA 35km de pedal

Saímos por volta do meio dia de Caraguatatuba, depois de se despedir do Marcos (professor pato) e sua esposa Maria, irmã de Valentim, e de seus filhos pequenos Túlio , João e Joãozinho. Fiquei até sem graça com tanta gentileza da família do Valentim, que nos acolheu muito bem.

Agora só sobrou eu e o Shin. Quero ver como vai ser nossos diálogos. Pedalamos pela ciclovia, que beira o calçadão. É muito bom pedalar por ciclovias, uma experiência que só tive aqui no litoral. O céu estava bem nublado e uma garoa fina nos pegou quando já estávamos na balsa para Ilha Bela, 2 horas depois que saímos de Caraguatatuba, pedalamos pela Rio – Santos, que estava com movimento grande em alguns trechos e não tinha muito acostamento, obrigando-nos a ficar bem no cantinho da pista. Mas a estrada neste trecho é boa de se pedalar, com varias serras pequenas.

Na balsa fomos o centro das atenções, com nossas bikes carregadas. Um homem veio falar comigo e me perguntou se eu não tinha medo de assalto ou algo parecido, eu disse que não, pois não tinha nada de valor. Ele fez uma careta e eu dei risada.

Chegamos e procuramos um camping, fomos até a Praia Grande de Ilha Bela e quando chegamos no camping, o que me chamou a atenção foi uma bike, que por ali estava encostada, com alforge e tudo mais. A primeira pergunta que fiz para a recepcionista do camping foi a seguinte: – Ei moça, de quem é aquela bike? ela sem entender muito respondeu: – É de um rapaz de Campinas, mas ele esta na praia do Bonete.

Entramos no camping e depois de pagar a absurda quantia de 20 reais por pessoa, montamos nossas barracas. Conhecemos a praia e na volta encontramos com o dono da bike, era o Frank, um cara muito gente fina, que estava vindo de Campinas, e indo pra Ilha Grande no Rio de Janeiro. Conversamos muito e depois de jantar eu e Shin fomos dormir.

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Shin, eu e o Frank

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Praia Grande em Ilha Bela

DIA 18/1/2005 ILHA BELA – MARESIAS – 35 km de pedal

Saímos de Ilha Bela acompanhados de Frank, e na balsa encontramos um rapaz que disse ter pedalado até na Europa, mais um longo papo sobre cicloturismo. Nos despedimos de Frank, afinal ele estava indo para o lado oposto. Saímos pedalando pela Rio – Santos e pegamos uma grande serra entre as praias de Toque Toque Grande e Pequeno. Demos uma parada na praia de Paúba. A chuva era intensa e a estrada sem acostamento, em muitos trechos ficava ainda mais perigosa.

Chegamos na badalada praia de Maresias e ficamos em um camping bem simples. Conhecemos a praia, que tinha muitas mulheres bonitas. Tomamos cerveja com uns hippies e fomos fazer um rango no camping. À noite demos mais uma volta pela praia e fomos dormir, já decididos em pegar um ônibus para São Paulo, e outro para Jundiaí, afinal está chovendo, é muito perigoso pedalar assim pela Rio – Santos e também devido a chuva, não estamos aproveitando muito.

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Praia de Maresias, ponto final da viagem

DIA 19/1/2005 – MARESIAS – SÃO PAULO – JUNDIAÍ ônibus

Desmontamos acampamento e fomos pegar o ônibus, que passou mais de duas horas depois. Colocamos as bikes no bagageiro e mesmo com a cara feia do motorista, não tivemos maiores problemas em embarcar com elas. Na estrada pude notar a grande serra na saída de Maresias em direção a Boiçucanga. Por um momento fiquei feliz por não estar pedalando, pois o morro é grande e bem íngreme. Chegamos em SP depois de uma viagem longa e chuvosa. Pegamos outro ônibus, agora para Jundiaí. O Shin veio comigo para ficar uns dias em minha casa. Não tivemos problemas para embarcar a bike no ônibus para Jundiaí, o rapaz da empresa só falou: – Da próxima vez, vê se desmonta as bicicletas, e eu respondi:-Tá bom.

Cheguei em Jundiaí e nem acreditei estar pedalando por ruas conhecidas, que tantas vezes pedalo, a única diferença era o peso da bike. Parei em um barzinho onde encontrei alguns amigos, e ninguém acreditava quando eu falava da minha viagem, e principalmente a do Shin, afinal 21 paises não é pra qualquer um. Depois de algumas cervejas, cheguei em casa e aí foi só alegria, abracei a minha mãe e liguei para todo mundo, avós, amigos e amigas. Me senti realizado por ter ficado 25 dias pelas estradas, conhecendo muitos lugares e muita gente legal. Tudo deu certo, apesar de ter pego alguns ônibus, não fiquei chateado e tirei disso mais uma lição.

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Eu e Shin chegando no meu predio em Jundiai

E quanto ao Shin, passou duas noites aqui em casa, levei ele passear por Jundiaí, que não tem nada de muito interessante, principalmente para um cara como ele que esta rodando o mundo. Aproveitamos e ficamos vendo em seu lep top as fotos dos lugares por onde ele passou. Acredite se quiser, ele tem mais de 6 mil fotos de sua viagem. Dei ainda uma última pedalada com ele, no dia em que foi pra São Paulo. Fui guiando-o até a rodovia Anhanguera e desejei-lhe boa sorte.

Agora vou jogar uma pedrinha no mapa e onde ela cair, será a minha próxima viagem.

AGRADECIMENTOS:

Ligia Luciene (minha irmã, que me deu de presente alguns equipamentos que eu teria que usar na viagem, me emprestou seu óculos de sol e seu radinho gravador, que eu usei para ouvir músicas durante a viagem)

Cleber Augusto ( amigo, que me emprestou a maquina fotográfica)

Walter Magalhães (cicloturista, que me deu dicas importantes sobre a Estrada Real, antes da minha viagem)

Aos cicloturistas que me acompanharam em alguns momentos da viagem Cristina, Fabiano, Frank, Rogério, Shin e Valentin. Valeu pela companhia rapaziada, e que próximas aventuras virão.

E a todos que de alguma forma me ajudaram ou me fizeram companhia durante a viagem.

HOSPEDAGEM

Hotel Santiago – Diamantina

Pousada Vila do Príncipe – Serro

Hotel Bom Jesus – Conceição do Mato Dentro

Pousada do Tião – Morro do Pilar

Camping Ouro Fino – Itambé do Mato Dentro

Camping Lagoa Guarda-Mor. Fone (31) 9645-4516 – Catas Altas

Albergue da juventude Brumas Hostel. Fone (31) 3551-2944 – Ouro Preto

Barzinho do Tiago – Itutinga

Camping da Toca – Carrancas

Pousada Filhos da Terra. Fone (35) 3237-1446 – São Tomé Das Letras

Hotel Inha Shica – Baependi

Hotel central – Guaratinguetá

Albergue da Juventude – Paraty

Casa do Valentim – Caraguatatuba

Camping Canto Grande – Ilha Bela

Camping (sem nome) – Maresias

A MINHA BIKE

Uma Giant Rincon, que eu comprei do meu amigo Cyro há uns 2 anos. A bike deve ter uns 10 anos de uso, já rodou muito, pois o Cyro também viaja de bike.

A bike é simples, sem amortecedor. Tem 21 marchas e quadro de cromolibidênio. Troquei a coroa por uma menor, para as marchas ficarem mais leves, principalmente nas subidas. Foi um investimento que eu fiz que valeu a pena.

Durante toda a viagem a bike não apresentou nenhum problema, apenas em alguns momentos nas estradas de terra a corrente fazia barulho, devido a quantidade de lama que se acumulou nela. Nem um pneu furou durante a viagem.

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38 Respostas para " Estrada Real De Bicicleta "

  1. #1 - Hugo Octavio says:

    Ai brother, irada sua trip.
    Já fiz de ouro preto Paraty, por um trajeto meio diferente.
    Show, vamos marcar um pedal!
    sou do Rio mas meu coroa mora em sampa
    tenho uma matéria pequena no site bikemagazine.com.br sobre visconde de mauá

    abçs

  2. #2 - Camargos says:

    Aí André, pretendo fazer a viagem de Ouro Peto a Paraty em maio de 2008.
    Sua estória colaborou para a formação de minha estratégia para a viagem.
    Quando voltar pretendo também relatar minha viagem, além de servir como material de planejamento para ouros ciclistas, serve como fator motivador.

    Valeu cara.

  3. #3 - Bruno says:

    e ae cara tava lendo sua matéria…
    muito legal eu ainda vou fazer isto um dia hehehe
    aqui eu gostaria muito de saber sobre um lugar que voce passou… itambé do mato dentro… e eu ouvi falar no camping ouro fino mais nao concigo arrumar contato la…
    estou penssando em ir para la esse feriado e levar minha bike pra andar la por perto mesmo… conhecer a cidade e etc…
    tem como voce me passar algum contato deste camping? e ate me dar umas dicas la do lugar??
    se voce tiver MSN me passa ele fazendo favor
    abraçao e conto com sua ajuda

  4. #4 - Cláudio says:

    Parabéns cara, tu és uma ser que teve contato com a nutureza e seu eu, horas pedalando sozinho, vc e Deus cara, li sua matéria. Meus Parabéns, ando de bike, neste final de anom, vou levá-la para Ubatuba, vamos ver no que dá. Forte abraço.
    Cláudio
    Diadema/SP

  5. #5 - Guilherme says:

    parabéns pela dedicação…nao fa~ço viagens de bike, mas adoro aventuras, viajo sempre. Adorei sua história….abraços
    Sou de Ubá, minas gerais.

    Guilherme

  6. #6 - Tânia says:

    Olá,
    adooorei sua viagem e sua forma simples e boa de contar as coisas.
    Vc deve ter um coração maravilhoso.
    Onde vc vá que a luz de Deus te acompanhe.
    Um abração.

  7. #7 - Reinaldo says:

    E aí André… Acabei de chegar de Parathy, fiz a Estrada Real de bike no trecho de Cunha-Parathy, junto com a minha namorada com um carro de apoio.
    Adorei, eu tudo muito certo,indico para todos aqueles que gostam de natureza e pedal, pq pedalar na Serra do Mar é alucinante, mas qdo, cheguei em Paraty,nem o pessoal das Informações Turistícas (No Portal de Paraty) soube me informar onde ficava o marco zero da Estrada Real, eu terminei na Paça do Chafariz, onde tem um marco da Estrada Real, mas eu vi em tuas fotos que tem um outro marco inicial, fica em Paraty, este marco ???

    Um abraço, tb sou de Jundiaí, mas moro em SJCampos.

    Junior (Fogo)

  8. #8 - andre says:

    olá Reinaldo td beleza?

    Então este marco ( da foto) ficava bem no final da estrada na descida um pouco antes de chegar na cidade de Parati, em um lugar que tem umas cachoeiras escondidas…
    acho que ainda deve ter este marco por lá , você não viu? talves na empolgação da descida vc tenha passado direto ele fica ao lado esquerdo.

    realmente este trecho da estrada real é alucinante principalmente a descida hehehe

    abraços

  9. #9 - Felipe says:

    Iae cara, td bom?! Parabéns pela viagem eim, to querendo fazê-la em julho do ano que vem, você sabe qual foi o total percorrido? Obrigado, abraço!

  10. #10 - andre says:

    olá Felipe

    o total percorrido de Diamantina a Paraty é mais ou menos uns 1000 km se eu não me engano
    de ouro preto a paraty é uns 600 e poucos km

    mas isso depende muito do seu trageto

    abraços

    André
    equipe GuiaDoViajante

  11. #11 - weuler azara says:

    adorei as fotos o percurso é maravilhoso parabens pelo esforço e dedicaçao de descrever tudo isso aqui para nós
    sobre catas altas estou planejando um camping agora no proximo final de semana esse que você ficou como funciona?
    eh pago? ou meio que no meio do mato?
    mande algumas informaçoes se possivel para mim pelo email weulerazara@yahoo.com.br
    se houver alguma area que dê para acampar em catas altas tipo no meio do mato
    ok
    abraço

  12. #12 - andre says:

    olá Weuler

    quando estive em Catas Altas tinha o camping q eu fiquei que era em uma lagoa e ficava a tres km da cidade na estrada no sentido pra Mariana.

    o camping era simples e tinha um bar custava na época 5 reais , mas não sei se ele ainda funciona. ve se este fone ainda é de lá e da uma ligada

    Camping Lagoa Guarda-Mor. Fone (31) 9645-4516 – Catas Altas
    o proprietario morava lá e era bem simpatico

    mas em Catas Altas tinha casas e pousadas bem baratinhas acredito q hj em dia ainda seja barato se hospedar por lá uns 20 reais no maximo. O pessoal acampava tambem no quintal de casas dos moradores, dai vai de você negociar.
    espero ter ajudado
    abraços
    André

    Equipe GuiaDoViajante.com

  13. #13 - Márcio Guedes says:

    Parabénnnnss
    Grande realização…
    Pretendo em breve fazer Volta Redonda ( minha cidade ) a Ouro Preto.
    Lí todo seu passeio. Sensacional…
    Grande abraço e força no pedal.

  14. #14 - jesiel says:

    ola amigo li todo seu relato com muito cuidado, eu moro na baixdafluminense em queimados em paraty tem como passar a noite dormir em algum lugar tipo delegacia de graça?

    pretendo ir em outubro acho que sao uns 250 km daqui ate la em um dia e possivel fazer isso?

    o que vc recomenda comer no trajeto?

  15. #15 - Viscondi says:

    Parabéns pelo feito.

    Eu (51 anos) e meu filho (15 anos) estamos programando realizar a viagem de Tiradentes a Paraty no começo de 2008, portanto seus relatos nos ajudaram a entender um pouco melhor a viagem.

    Show de bola.

    ps. Depois dessa você já fez alguma outra?

    um abraço.

  16. #16 - Patricia says:

    Olha, fiquei com água na boca lendo o seu relato. Muito bom, parabéns!!! Dá pra imaginar como você deve ser te divertido. Tenho planos de fazer esse trajeto um dia, mas ainda deve levar um tempo. Parabéns!

  17. #17 - Federico says:

    Olá Andre, um prazer. Gostei pra caramba da sua viagem e tambem da sua qualidade para contá-lo. Querido eu to indo agora no final de dezembro, desde minha casa (BUenos Aires) para o brasil. Eu voy com um parceiro, agente vai pegar um trem que sai daqui de buenos aires e chega a 300 km de foz do iguacu. Depois a ideia e chegar primeiro a belo horizonte, talvez pegando algum onibus desde iguacu a bh, e depois ir até salvador ( no caminho pegar o trem que vai desde bh até o estado de victoria eu acho). Nos queremos passar carnaval lá na bahia, os dois somos argentinos. Eu nao quero lhe tirar muy tempo amigo, mas s´queria q voce me dissese alguma dica, sei lá, algum lugar que se diz: meu irmao, tu nao pode deixar de passar por esse lugar” ou alguma recomendacao de boas rodovias ou estradas para andar com a bicicleta. Desde já muito obrigado por leer isso e um abraco pra voce e a sua senhora, continuem com essas aventuras.

  18. #18 - André Alécio says:

    olá frederico

    Olha proximo a Belo Horizonte , tem muitos lugares bacanas pra se conhecerer, o Parque Nacional da Serra do Cipó, vale a pena, depois se puder vc pode ir de bike até a cidade de Diamantina( uns 300 km da serra do cipó) vale a pena, passando por conceição do mato dentro q tem a terceira maior cachoeira do Brasil ( cachoeira do Tabuleiro) pela cidade de Serro q é historica, e tambem Milho Verde ( um vilarejo com muitas cachoeiras. Ao sul de Bh vc encontra Ouro Preto e Mariana são 2 cidades Historicas da época colonial bem estruturadas para turismo. indo pra Bahia saindo de Vitoria no caminho tem Itaunas Um lugar com praias muito bonitas, e o litoral da Bahia todo é muito bom também.

    bem é isso ae na duvida entre em contato

    abraços

  19. #19 - Fabiano says:

    Cara ! Estava em dúvida se faria este passeio pois tinha receio ( também vou sozinho ) mas lendo teu relato, acabaram-se as minhas dúvidas ! Parabéns, pretendo fazê-la em janeiro agora. Eu imagino a emoção que é descer aquele downhill de paraty qdo vc começa a ver o asfaldo vindo de onde vc veio. Demais.

  20. #20 - MARCELO T.SILVA says:

    Parabéns!!!!!!bela viagem, realmente um passeio inesquecível, gostei muito das fotos e relatos!!!!
    Boa sorte para vcs, muita saúde para vencer todos estes espetáculos da natureza
    fiquem com Deus

    Marcelo,39,SP

  21. #21 - Lydiston Rios says:

    Parabéns!!!
    Tbm tive o prazer de fazer duas viagens pela Estrada Real. Uma em 2004, saindo de Lagoa Santa/MG com destino em Diamantina/MG.
    Em agosto de 2008, fiz o percurso entre Ouro Preto/MG e Paraty/RJ.
    É fantástico, assim como vc relata em seu diário de bordo. Para aqueles que têm vontade mas nunca fizeram, FAÇAM!!!
    Um grande abraço!
    Lydiston

  22. #22 - Paulo Ito says:

    demais!! se só de ler é legal imagina viver na pele!! quero descer de diamantina pra ouro preto, porém quero evitar transito de carros, como é esse trecho? tem bastante estrada de terra?
    Parabéns, abraço!!

  23. #23 - André Alécio says:

    olá Paulo

    cara este trecho de Diamantina até Ouro Preto pela Estrada Real é show de bola, ( na minha opinião o melhor e mais belo trecho da estrada), já na saida de Diamantina para Milho Verde você vai lembrar do que estou escrevendo aqui, pois é lindo o trecho, tudo terra, praticamente sem carro, até Serro, de serro, até Conceição do Mato Dentro voce verá alguns carros ( na epoca q eu fiz o trecho tb era terra) mas hj em dia não sei, mas acredito que ainda seja terra, depois vai ser só estradinha de terra até proximo a Barão dos Cocais, depois peguei asfalto até Ouro Preto, mas a região do Parque Natural do Caraça tambem é linda. Mesmo nas estradas asfaltadas não peguei muitos carros, é só ir no cantinho da estrada que é tranquilo, tem uns 5 km na br 040 mas tem acostamento.

    esteja preparado fisicamente para enfrentar as montanhas, pois não é facil encarar hehehe

    abraços

    André Alécio

  24. #24 - Fernanda says:

    Q encanto de viagem…
    Sou frequentadora de Cunha, e esse trecho Cunha-Paraty guarda grandes belezas naturais…
    Só pra localizar o pessoal ai de cima q não viram o marco zero da estrada real, ele fica ao lada da igreja de Nossa Senhora da Penha ou mais conhecida como Igreja da Pedra Branca, você deve ter visto qdo passou por ela já quase chegando a Paraty no fim da descida da serra, e a cachoeira escondida é a Cachoira do Tobogã uma maravilha tbm no fim da trilha que começa ao lado da igreja…

    Para qm fica na vontade de conhecer, a dica é vá até lá e aproveite ao maximo.
    Irá valer a pena cada minuto, tenho certeza!!!

    Até

  25. #25 - Fernando Couceiro says:

    Ola,

    Gostaria de fazer a viagem de bicicleta entre Diamantina e Parati com minha esposa e gostaria de saber se existe alguma agencia de turismo especializada no assunto?

    Obrigado,

    Fernando

  26. #26 - André Alécio says:

    olá Fernando

    se existe alguma agencia especializada neste roteiro de bicicleta eu desconheço. Mas é possivel faze-lá sozinho com um bom planejamento, e preparo fisico.

    abraços

  27. #27 - juca says:

    Ae André , eu sou Juca de Valinhos-SP pertinho ae de Jundiai , já morei ae ! viuu tem um email/ telefone pra contato . Estou planejando uma trip pela Estrada Real em breve e precisava de uns conselhos seus !!! meu email é jucamtb@hotmail.com ou orkut : http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=1170096498932473279

    abraço

  28. #28 - Gerson Dias says:

    Grande André!!! Parabéns pela viagem e pelo relato. Achei bem sincero e com boas dicas. Estou querendo fazer um cicloturismo. Quais as suas dicas para preparação física de quem quer encarar uma viagem subindo montanhas?

    Abração.

  29. #29 - André Alécio says:

    olá Gerson td beleza?

    olha sobre dicas quanto a preparação para uma viagem de bike, acredito que vc deva pedalar sempre, umas tres vezes por semana uma distancia de no minimo uns 30 km e pelo menos uma mais longa de uns 60 km , em todo tipo de condições (asfalto, terra, planos, subidas) fazer viagens menores tb é bom pra pegar pratica com a bike carregada com alforges por exemplo. Este mes fiz uma viagem de 1100 km pro sul do Brasil, e pedalei umas 3 ou 4 vezes por semana antes de ir na viagem, em nenhum momento senti dores nas pernas ou grande canseira. o negocio pra não passar apuros é treinar… iniciar com treinos pequenos e ir se condicionando e aumentando gradativamente a kilometragem e o nivel do terreno ou até mesmo tempo da padalada. ( isso se vc não é tão acostumado a pedalar. o que muitos fazem tambem caso a viagem for longa, é nos primeiros dias não pedalar grandes distancias e ir deixando o corpo se adaptar com a frequencia de dias pedalados, isso ja será um treino, e em poucos dias vc pode sair da casa de 50 ou 60 km pedalados para uns 80 km ou mais, mas lembre-se sempre ir com cautela para não passar por apuros na estrada. comer algo ( principalmente coisas doces) sempre que possivel, e beber muita agua, sucos ou isotonicos, para garantir a hidratação.

    bem é isso qualquer coisa me escreva

    abraços

  30. #30 - fernando gonçalves says:

    ola, andre!
    achei mt bacana o seu projeto, e vejo que ja faz um tempinho!
    da proxima vez que passar pelas cidades historicas, nao deixe de parar na minha cidade ( bom jesus do amparo-mg), que fica em os distritos de ipoema ( itabira) e cocais ( barao de cocais).
    sou guia de turismo, e sempre que tenho a oportunidade, falo com todos que passam pela estrada real.
    sucesso como seu guia,
    parabens !
    gde abraço
    fernando gonçalves ( ghuma)
    ferghuma@yahoo.com.br
    ferghuma@gmail.com

  31. #31 - Willian says:

    Show de boa, gostaria da proxima vez que você viajar de bike, se quiser compania manda um e-mail
    abraço
    will_vianna@hotmail.com

  32. #32 - Ellen says:

    Muito legal,adorei a sua viagem,a maneira como você descreve os episódios.Muito legal mesmo.
    Em janeiro,vou fazer a minha primeira viagem de bike.Diamantina-Belo Horizonte pela estrada real.
    Espero que seje assim,bem legal.Eu pedalo muito e tenho que adquirir preparo para Janeiro.Há de dar tudo certo.
    Parabéns para você.Deus te abençoe em suas pedaladas.

  33. #33 - André Campos says:

    E ai parcero, trip mto legal que você fez!!!
    to pensando em fazer de São Thomé das Letras a Paraty, no mês de fevereiro, será que é uma boa época para a viagem de bike?? abraço!!

  34. #34 - André Alécio says:

    olá André

    cara acho que a melhor época pra fazer este pedal seja no inverno pq chove menos e as temperaturas são mais amenas, mas se vc tem este tempo de ferias vá fazer o pedal, que com certeza valera a pena. estive no inicio de 2011 novamente na estrada real, caminho dos Diamantes, Fizemos entre Diamantina e o Caraça, pegamos só 1 dia de chuva, mas com o sol forte era cansativo pedalar.

    abraços

  35. #35 - André Campos says:

    Eai chará, além da estrada real qual outra viagem de bike voce já fez? alguma aqui pelo estado de SP, além do caminho da fé esse eu já fui é show também..

    abraço

  36. #36 - André Alécio says:

    opa André

    fizemos no carnaval de 2009 uma viagem pela região da serra da mantiqueira que foi muito legal saimos de extrema a 100 km de SP.

    da uma olhadinha http://guiadoviajante.com/658/cicloturismo-na-serra-da-mantiqueira/

    valeu a pena ter curtido este rolé cachoeiras e muitasmontanhas rsrs

    fora este fiz outros como a viagem de Cananaia SP até Gramado RS este durou 27 dias 1100 kms rsrs, vc pode achar aqui no site tb esta viagem.

    abraços

  37. #37 - Fernando Mendes says:

    Entre os dias 1º de Maio e 17 de Maio de 2011, percorri os 1000 km da Estrada Real – de bike – entre Diamantina e Pararty. Subidas insanas e descidas alucinantes, tudo compensado por belíssimas paisagens dos três maiores conjuntos serranos do Brasil: a Serra do Espinhaço, a Serra da Mantiqueira e a Serra do Mar, que juntos formam o maior conjunto de terras altas do Brasil. Fernando Mendes.

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